
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: – mais nada.
--> Opinando digo que, Cecília Meireles é bastante clara em sua poesia quanto a suas idéias em relação a poesia. Ela credita que a poesia faz parte de sua vida e como tal ela a usa para expor seus sentimentos. Sentimentos passageiros e alguns eternos, tantos que os guardamos sem precedência.
Como um rio que passa em nossos corações, algumas águas passam e vão embora, outras ficam guardadas, marcadas! E essas águas são como pessoas que encontramos em nosso caminho, umas boas e outras nem tanto.
Acredito que mesmo insegura com quanto a presença de sua arte em sua época, Cecília Meireles as vive livre pois ainda como um rio nossas vidas vão embora e o que deixamos para trás será mostrado como parte de nós mesmos, é o que marcará sobre quem fomos.
Repetindo das palavras de Cecília: (...) Eu canto porque o instante existe/e a minha vida está completa./Não sou alegre nem sou triste:sou poeta. (...)
Assim, eu, também sinto-me nesta noite como uma poeta que escreve o que sente, sinto que tudo está passando. Mas espero deixar minha marca, um pouco de minha vida para todos que por mim passarem ou para aqueles que me olharem, mesmo se não puder-lhes dizer palavras, deixo o meu sorriso, deixo-lhes a minha alegria que de viver!
Uso agora, para término deste post, das palavras do poeta Gabriel Perissé:
(...) - Escrever é deixar rastros. Rastros voluntários. Parágrafos, estrofes, vírgulas. O autor de um livro é autor de rastros concentrados no objeto que o leitor vai folhear. Escrevemos na areia da praia, as ondas cobrem o poema fugaz. Mas sempre fica um traço, um indício, algum sinal permanece, alguma referência na lembrança, corrente de vento ventando na distância.(...)
...por Thaíssa Dilly,

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