domingo, 21 de junho de 2009

Crônicas da vida real




Declaração de raça

Declaro para os devidos fins que sou negra, conhecida por alcunha de mulata, termo dado a mistura da raça Negra com a raça Branca, derivado da palavra mula, forma como se tratavam os negros durante a escravidão e como muitos ainda são e se permitem ser tratados.

Declaro também que pelo fato de minha pele ser marrom, meus cabelos crespos cacheados, meus traços fugirem do padrão de beleza ditado pela sociedade, mídia e moda tenho plena autonomia para afirmar que o racismo ainda existe.

Diante de tal relato, afirmo também que esta declaração é prova que não me curvo diante do racismo, que não me julgo inferior, que assumo cada traço do meu rosto e da minha história.

Nos últimos anos, ser racista foi reconhecido como um defeito, se assumir racista é ter complicações com a justiça, que o considerou crime inafiançável, expor um negro a qualquer situação discriminatória é constrangimento infalível e recriminado de qualquer ciclo social, criou-se cotas para negros nas universidades, nos anúncios de emprego disfarçaram a discriminação racial com as palavras boa aparência, tais precauções só vem reforçar que o racismo é muito freqüente, e que os negros precisam da lei para protege-los de ofensas, precisam de cotas para vencer a concorrência desleal e classista nos vestibulares, precisam de escova progressiva para entrarem no quesito boa aparência.

O racismo era notório e designava-se adiante mórbidos ataques de rejeição, incompreensão e exclusão, hoje ele é faceiro, os negros podem entrar nos restaurantes chiques, mas não tem meios de pagar a conta, podem se hospedar em hotéis cinco estrelas, mas não dispõem de verbas para as diárias; podem estudar em boas escolas, mas não tem como pagar as mensalidades; podem aparecer na mídia, mas não podem ser o galã ou a mocinha da novela das nove. Até o conceito de autodiscriminação é racista, a grande massa considera chapinha e plástica no nariz embelezamento, porém diz ser o cúmulo do auto-racismo a paixão inter-racial, como se fosse possível escolher por quem se apaixonar.

O que dita a abominável condição de mais de 70% dos negros na sociedade é a não oportunidade, sem educação de qualidade, caríssima diga-se de passagem, o negro não tem condições financeiras para chegar a altos patamares e cargos, saímos das senzalas e fomos às favelas, precisamos “matar um boi por dia” para sobreviver e vencer a guerra contra o preconceito, que vem de berço, ou melhor, da falta dele.

Não costumo me curvar a estatísticas, pois as mesmas são desanimadoras; A exacerbada maioria, de alunos nas escolas públicas, é de negros, nos empregos assalariados, é de negros, nos bairros de periferia, é de negros, e isto não é demonstração de inferioridade intelectual, pois somos tão inteligentes e capazes quanto pessoas de qualquer raça.

Por fim, declaro que não aceito comentários mórbidos disfarçados pelo preconceito atual de “elogios”, como: “você é menos escura que tal pessoa”, “seu cabelo é melhor do que o de fulano”, “seus traços são mais finos do que o de cicrano”; Pois não defino sequer como elogio qualquer palavra e/ou atitude que menospreze e diminua a minha raça.

Este é o racismo contemporâneo, doença que vem se alastrando pela sociedade, e que todos os cidadãos munidos de conhecimento, dignidade e respeito deveriam combater independente da raça e da cor da pele.


Tiara Sousa,
São Luís - MA - por correio eletrônico
Endereço eletrônico: tiarasousa@ig.com.br

domingo, 24 de maio de 2009

Curiosidades sobre o dia 16 de Maio, meu aniversário!

16 de Maio: para a Mitologia hindu é o dia de Savitu-Vrta, festa em honra da deusa Sarasvati, das Letras e das Artes.

Sarasvati é a deusa hindu da sabedoria, das artes e da música, e é a shákti, que significa ao mesmo tempo poder, é esposa de Brahma, o criador do mundo. Ela é representada como uma mulher muito bela, de pele branca como o leite, e tocando sitar (um instrumento musical).

Ela é a protetora dos artesãos, pintores, músicos, atores, escritores e artistas em geral. Ela também protege aqueles que buscam conhecimento, os estudantes, os professores, e tudo relacionado à eloquência. Seus símbolos são um Cisne e um Lótus Branco.

Os Vedas listam Sarasvati como sendo originalmente uma divindade da água, a Deusa de um rio que corria a oeste do Himalaia. Posteriormente o seu poder aumentou. Ela passou a ser conhecida como a Deusa dos cânticos e dos discursos, a criadora do sânscrito e a descobridora da bebida sagrada, soma. Ela se tornou a força por trás de todos os fenômenos.

Sua forma tibetana pode ter dois, quatro ou seis braços. No Japão, onde é chamada Benzaiten ou Benten, ela é a encarnação da mulher ideal; a maioria de seus templos fica nas ilhas (o templo principal fica em Enoshima). Ela aparece montada em uma serpente e é a única divindade feminina entre os populares Sete Deuses da Boa Fortuna.



Poesia a Sarasvati

Eu sopro a flauta a esse canto ao nada
e o cisne branco agracia o pôr-do-sol.
Água dos sonhos, abençoai o crisol
e libertai a deusa tão sonhada...


À flor de lótus beijando a sedução,
eu sou a fonte onde o seu fim deságua,
purificando moinhos de mágoas,
sou a bebida sagrada e a salvação.


A lua crescente, o cálice e a essência,
aspergindo o aroma das venturas
nas gotas supremas tal a cura
e o amor sublime dessa existência.


Sou o cântico aos dosséis da imensidão,
o sânscrito qual energia espiritual,
redenção em minha forma universal,
sou Sarasvati, a divina criação.


... por Thaíssa Dilly,
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